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Para além dos sistemas: o salto de África rumo à governação digital das finanças públicas

Prince Akoi

Prince Akoi Thompson : Coordenação e Acompanhamento da Reforma da Folha de Pagamento, Gabinete do Ministro das Finanças e Planificação do Desenvolvimento, Libéria

Um encontro continental de defensores da reforma

Em toda a África assiste-se a uma profunda dinâmica de reforma rumo à gestão digital das finanças públicas. O workshop que decorreu em Kigali proporcionou uma oportunidade para partilhar histórias de reforma digital, todas elas alusivas à importância da transformação. Um técnico responsável por aquisições, outrora rodeado de intermináveis registos documentais, navega agora numa plataforma digital que concilia os compromissos com os orçamentos aprovados em segundos. Na Monróvia, o responsável pela folha de pagamento processa os salários com confiança, sabendo que cada pagamento é validado contra os registos autorizados do pessoal, enquanto as verificações de conformidade fiscal decorrem discretamente em segundo plano, garantindo integridade em cada operação.

Profissionais em matéria da reforma digital das finanças públicas do Ruanda, Libéria, Benim, Quénia, África do Sul, Tunísia, Gâmbia, República Centro-Africana, Chade e Uganda partilharam experiências pessoais de inovação no domínio da gestão digital das finanças públicas. Cada país trouxe a sua própria história: alguns referiram às evoluções na aquisição electrónica, outros aos desafios na integração dos sistemas de impostos, e ainda outros da promessa de interoperabilidade pela integração de plataformas fragmentadas em ecossistemas coesos. Juntos, pintaram um quadro de governação das finanças públicas em movimento, um continente onde a transformação digital passou de uma pretensão distante para uma realidade diária que está a transformar a forma como os governos gerem os recursos públicos.

Este encontro foi mais do que um workshop; foi um diálogo continental. Revelou como contextos divergentes convergem em torno de uma ambição comum: a de tirar proveito das ferramentas digitais como motores de transparência, responsabilização e confiança dos cidadãos.

Reformas digitais como alavancas estratégicas
Estas realidades ganharam vida durante o workshop de aprendizagem entre pares subordinado às reformas de gestão digital das finanças públicas, realizado em Kigali de 9 a 10 de Março de 2026. O evento reuniu profissionais de toda África para explorar como as ferramentas digitais estão a redefinir a transparência, a responsabilização e a eficiência na governação das finanças públicas. Sistemas integrados de informação de gestão financeira (IFMIS), plataformas de aquisições electrónicas e administração digital dos impostos foram apresentados não como actualizações técnicas, mas como alavancas estratégicas para aprofundar a confiança dos cidadãos e fomentar uma governação inclusiva. Estudos de caso do Ruanda, Quénia e Libéria demonstraram como estas inovações reduzem fugas, simplificam as aquisições e alinham as reformas fiscais com as prioridades nacionais de desenvolvimento.

Aprendizagem entre pares e desafios comuns
A aprendizagem entre pares foi o cerne do workshop. Os participantes participaram em discussões interactivas a respeito de desafios como a interoperabilidade, a cibersegurança e a fraca capacidade técnica. O formato colaborativo sublinhou que, embora os contextos sejam diferentes, o sucesso depende da liderança, do empenho político e do investimento contínuo no capital humano.

A próxima fronteira da Libéria: interoperabilidade
Para a Libéria, a próxima fronteira é a interoperabilidade. Os seus sistemas actuais independentes de IFMIS, aquisições e administração tributária integrada operam em silos. Integrá-los num ecossistema coeso poderia revolucionar a disciplina financeira. A aquisição alinhada com os orçamentos, a folha de salários ligada a registos verificados de funcionários e a verificação cruzada dos pagamentos aos fornecedores para a conformidade fiscal não só reduziriam fugas, como também fortaleceriam a arrecadação de receitas internas e melhorariam a exactidão dos dados.

Cooperação regional como elemento multiplicador
O workshop de Kigali também reforçou a importância da cooperação regional. As redes de profissionais reformistas são mais do que círculos profissionais; são aceleradores de mudança. Inovações pioneiras num país podem propagar-se através fronteiras, inspirando reformas noutros locais e multiplicando o impacto.

Conclusão: confiança e resiliência através da GFP digital
O futuro das finanças públicas de África reside em reformas digitais ousadas e colaborativas que colocam as pessoas e a confiança no centro. O workshop de Kigali foi mais do que uma reunião, foi um lembrete de que os países que aprendem juntos tornam-se mais fortes juntos, e que a GFP digital consiste, em última análise, em resiliência, responsabilização e governação inclusiva.

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